O texto abaixo está na edição de abril do Jornal Sol da Vila. Ele foi escrito pelo Sr. Oswaldo, aquele que já comentei no primeiro post que foi o criador do nome do jornal, assim como da logomarca.
Lembro bem do seu primeiro dia em minha atividade. Quando cheguei ele estava no pátio sentado junto com outro senhor. Fiz, como sempre faço o convite para que participassem. Eles rejeitaram. Sr. Oswaldo disse que já experimentara, em outro momento com outra profissional e não gostara. Falei, sem muita esperança, para que ele sentasse junto ao grupo somente para observar e que poderia se retirar na hora que desejasse. Ele concordou, o outro senhor não. Pelo menos um eu consegui levar. Não se pode ganhar todas, né? Eu não tinha ideia do tamanho do participante que conseguira agregar.
Para minha surpresa, no meio da atividade ele me perguntou se poderia subir e pegar sua lupa, porque tem a visão bem comprometida. Pronto! Ganhei um aliado! Quando levei a proposta para criarmos o jornal, ele se entusiasmou logo.
Ele é uma pessoa que dá sempre um passo a frente. Foi dele o questionamento de porque não criavam textos em vez de copiar e colar. Foi dele o pontapé inicial, mas não ficou só nisso. Ele queria mais! Passou a incentivar e incentiva até hoje as outras participantes a escreverem. Digo "as participantes" porque ele é o único homem do grupo.
Esta é uma característica que percebo sempre presente. Poucos homens participam das atividades. É assim na Vila do Sol, era assim no grupo de convivência que coordenei no Forte do Leme.
Os textos do Sr. oswaldo são reconhecidos pela pitada de humor que sempre acrescenta. Quando ele me falou que queria discorrer sobre a velhice fiquei curiosa em saber como ele conseguiria dar conta de falar de uma realidade, que é a dele e do restante do grupo, sem escrever um texto pesado. Ele conseguiu!
A velhice
Ao atingir os 93 anos de idade, julgamos ser oportuno tecer
alguns comentários sobre a vida atual, de maior interesse para aqueles que já
estão se aproximando. São os que ao ultrapassarem os 65 anos atingiram a
chamada 3ª idade e são classificados como idosos.
Inicia-se então a aposentadoria com planejamento de tempo
para descanso, passeios, praias, viagens mais longas, enfim, o maior
aproveitamento possível do tempo que tem disponível.
Ao chegarem aos 85 anos, a situação vai mudando aos poucos.
O corpo pede mais tranquilidade. A maioria dos casais já perdeu o companheiro e
é quando se inicia um período bastante diferente do anterior. O qual chamamos
de 4ª idade e os participantes classificados como velhos: é a velhice que
chegou.
Nessa ocasião muitos vão morar com os filhos e outros se hospedam
em casa de repouso. Inicia-se uma fase em que a liberdade de ação vai
diminuindo. O controle financeiro da maioria fica por conta dos filhos que
tomam as decisões. Os pais passam a se sentirem filhos dos seus filhos. Vem a
preocupação quanto as suas possibilidades físicas e mentais. O horizonte
é preocupante.
Muitos só se movem em cadeiras de rodas, outros necessitam
de andadores ou bengala e há ainda os que aguardam um braço amigo para se
deslocarem.
O que mais impressiona é o Mal de Alzheimer que atinge
muitos dos que estão a sua volta. Como resultado muitos precisam constantemente
de um cuidador ou cuidadora porque não são mais independentes.
Mas, apesar dos males existentes ao seu redor sempre há
espaço para encontrar um caminho para passar o tempo com distrações saudáveis e
certamente se sentirão tranquilos e felizes à espera do dia final.
Sejam todos muito bem-vindos, mas não se esqueçam de que têm
que respeitar a fila e que não é permitido empurrar.
Uhuuu! \o/ Ele dá show, né?
ResponderExcluirQuando eu crescer quero ser como ele!
ResponderExcluirUma lição...
ResponderExcluirMuito bom, como sempre. Quem sabe um dia possa conhece-lo pessoalmente, para cumprimenta-lo! E poder conversar, um pouquinho, aprender um pouquinho...
Parabénsss !!!
Bjs